segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Depois da tempestade vem a bonança (?)

Diz o povo que, depois de uma tempestade, vem a bonança. O que me passa pela cabeça quando se diz isto? Aguas calmas, transparentes, tranquilas, cenários idílicos. E o mar a bater suavemente na proa do barco. Na verdade o que seria? Um barco cheio de rombos e peças partidas, fora do sítio. Uma tripulação decepada em alguns dos seus elementos, outros fortemente feridos, a morrer jazendo no chão. Um mar sujo com pedaços de embarcações, corpos a boiar, restos do fundo revolvidos, dando à agua um aspeto baço e sujo. E é isto a bonança? Não parece tão bom assim…
A verdade é que as tempestades no mar, e como tal as tempestades que acontecem na vida de cada pessoa, não são fenómenos isolados no tempo. Das tempestades resultam prejuízos que, nos tempos de acalmia, é preciso apurar e, dentro do possível, minorar. E ninguém gosta de contar corpos, fazer contas aos estragos e, depois do stress, do susto e da violência da tempestade, arregaçar as mangas e trabalhar na reconstrução. Nem nos barcos, nem em terra e, muito menos, nas relações fustigadas por essas tempestades.
E, de vez em quando, fala-se em tempestades num copo de água. Problemas que, aparentemente e para uma das partes, não têm razão de ser. Essas são as piores porque, depois de uma tempestade que pode ser bem real, apenas fica um copo de água, agitado mas minúsculo. O que fazer com tal coisa? Onde há base de trabalho para reconstruir? Um copo de água dá para molhar uma sala inteira, aspergindo essa água. Mas tentem pegar na agua aspergida e voltar a reuni-la. Impossível!
Demais será dizer que bonança num copo de água é coisa que não existe. Porque se, no princípio, havia um copo parcialmente cheio, no final haverá um copo vazio. E o que se pode fazer de e com um copo vazio? Nada! É preciso descobrir mais água, algures, para voltar a encher esse copo. Voltar a enchê-lo é necessário mas, há sempre um mas, encher o copo significa que ele poderá voltar a ocasionar tempestade. Toda a gente sabe do perigo que é alguém ficar de copo cheio.

Eu sei que tudo isto são metáforas sobre metáforas sobre metáforas. É confuso. É propositado porque não poderia escrever simplesmente sobre um tema que nada tem de simples. Mas agora serei sintético. Haverá sempre tempestades. Haverá sempre necessidade de reconstruir depois da tempestade. Há que não desistir por acontecerem tempestades. E, acima de tudo, tomemos consciência que levaremos algumas tempestades mas teremos na outra mão a capacidade de acabar com muitas delas. Acabar com aquelas que provocamos e, também, algumas que os outros nos provocam.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Qual o destino?

Inevitável e inegavelmente as opiniões dividem-se sobre a existência ao não de um destino para cada pessoa. A existência de um caminho traçado para cada pessoa envolve, em primeira análise, a ausência de liberdade. Porque se tudo está escrito então, na verdade não temos opções e as escolhas são meras ilusões. A possibilidade de uma existência determinística na vida desagrada a qualquer pessoa. E eu não sou exceção.

Portanto analise-se a liberdade. A existência de liberdade pressupõe a capacidade de fazer escolhas que influenciam o rumo que a vida segue. Esta é, felizmente, a experiencia que a maioria de nós tem da vida. Nesta perspetivas frases como “acontece quando tiver que acontecer” ou “se a vida te dá limões faz limonada” não fazem qualquer sentido, porque tudo é aleatório e não há justiça ou karma. E eu, como a maioria das pessoas suponho, não fico satisfeito com esta situação.

Eu sou apologista de uma situação intermédia em que a nossa existência tem um propósito. Há um papel para cada um na vida e, ao longo da vida, vamos sendo confrontados com situações que nos permitem abordar esse propósito. Digo abordar e não cumprir porque temos a liberdade de dizer não ao papel que nos é proposto, podemos escrever outra história. Ainda assim a Vida virá uma e outra vez criar-nos situações para podermos cumprir o proposto. No entanto, garantidamente, se dissermos não ao nosso “destino” então cada um será sempre sempre menos feliz do que poderia ser.

É inevitável para mim entrar, ainda que superficialmente, na questão de Deus dentro deste tema. Deus é omnisciente. Deus sabe, a cada momento, que escolha faremos. No entanto esta circunstância não é limitadora da nossa liberdade. Porque Deus não é imortal mas sim eterno. Deus existe acima do nosso plano existencial, é transversal ao espaço e ao tempo. Assim está em todo o lado a todo o momento. É por isso que não nos prende a liberdade, porque nascemos, vivemos e morremos para lá do plano existencial de Deus. Toda nossa vida é um momento para Ele. Por isso Ele, mesmo sendo interveniente na história de cada pessoa, não limita as suas liberdades. Deus é a Vida e é ele que nos sonhou, nos criou e nos sustenta ao longo da vida. É Ele que, insistente e constantemente, chama a cada um ao seu caminho de felicidade através da santidade.


Sumariando, para mim nascemos na liberdade e para a liberdade. Temos um propósito de vida que podemos ou não cumprir mas é um propósito que nos leva à felicidade. É Deus quem nos chama a esse caminho. Somos livres para O seguir ou não, temos essa liberdade, mas estamos destinados a nos confrontarmos com o sonho dele para cada um de nós.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Socializar pode ser tão viciante

Para algumas pessoas é perfeitamente natural e fácil ficar um dia inteiro em casa. Passar 24 horas sem sair da porta de casa. Para mim, sendo necessário em algumas ocasiões de maior cansaço, é bastante difícil. Não que desgoste da tranquilidade mas sim porque, de corpo e alma, estranho essa calma.

Andar sempre a correr de um lugar para outro, encontrando diversas pessoas em diferentes situações, é algo normal. Sair de noite de casa e chegar de noite a casa é quotidiano. Mas tudo isto cansa, tudo isto me impele a, de vez em quando, me retirar do mundo para recarregar baterias. Ainda assim é com alguma luta interior que evito acabar a contactar pessoas e, assim, retirar-me no descanso que quis para mim. Portanto, num momento assim, sinto-me um autêntico viciado a ressacar.

Mas não deixo de me perguntar porque assim será. Ficar em casa, sozinho, não foi algo a que fui obrigado. Foi algo que eu escolhi fazer, porque senti necessitar. Ainda assim sinto-me impelido a “rentabilizar” o dia. Retirando-me nesta solidão e silêncio que inunda uma casa vazia é possível reencontrar-me. Reencontrar tudo o que passei, reencontrar os motivos de ser quem sou. E permite algo que muitas vezes é difícil. Permite-me ver como, apesar de tudo, eu teria tantas pessoas que gostariam de partilhar o tempo comigo se eu não tivesse feito esta escolha. E é nesta solidão física que menos sozinho me sinto, emocional e psicologicamente. É paradoxal mas é a realidade. O sufoco das pessoas desvirtua o valor de cada uma delas. Por isso eu gosto tanto de socializar, sim, mas não em grandes e heterogéneos grupos.

Aprecio a socialização pessoal, o encontro e o diálogo olhos nos olhos. A partilha de tudo o que se quer dizer, sem o temor de quem poderá ouvir. Aprecio até essa socialização comigo próprio em dias de solidão. Mas, ainda assim, sei que não toleraria vários dias na solidão. Sei que me sufocaria se não pudesse ter com quem falar.

Socializar talvez seja apenas um hábito, que uns têm mais que outros, ou talvez seja mesmo um vício. Porque quanto mais bem-sucedido se é a socializar mais se quer alargar o circulo de contactos. E a tendência para a espiral de loucura e megalomania social está e estará sempre ao virar da esquina. Sei que, se não preservar a relação pessoal que tenho com cada pessoa particular, acabarei por falar com muita gente mas estar cada vez mais sozinho.


Eu preciso de socializar e sei porquê. Porque gosto de valorizar cada pessoa e gosto que cada pessoa valorize a atenção que lhe dou. Tirando do meu tempo, que não recuperarei, para lhe dar. Inteiramente pertencente a essa pessoa, durante o tempo que ali estivermos. Vicio ou hábito pode ser discutido. Mas não se pode discutir que eu, e todas as pessoas, precisamos disso.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Viver nas grandes cidades

Sou uma criatura urbana. Ao longo da minha vida isto não foi sempre óbvio, é um facto. Mas desde que tive o privilégio de poder viver na cidade compreendi o gosto que isso me dá.

A cidade terá muitas desvantagens, desde logo a qualidade do ar, a poluição sonora, o ambiente frio e distante das pessoas. Mas isso, tudo isso, para mim são coisas menores.

A cidade tem inúmeras possibilidades. Há algumas que eu aprecio em particular. Nomeadamente haver sempre espaços novos a poder visitar. Poder sair de casa e visitar um espaço completamente novo é sempre muito refrescante. Poderá parecer pouco mas o impacto provocado na entrada, o tempo perdido a apreciar pormenores, o saborear das comidas e bebidas (ainda que pouco ou nada possam ter de novo) é sempre muito bom, muito rejuvenescedor.

Depois há também uma outra possibilidade que muito estimo, que é a de poder sair à rua para pensar e andar. Poder andar quilómetros e quilómetros, apreciando mais ou menos os lugares, mas sempre na firme convicção de não ter de parar para cumprimentar este, saudar o outro, conversar com um terceiro. Apenas eu, a cidade e os desconhecidos. É o que gosto numa qualquer tarde soalheira de outono, numa manha de primavera ou numa noite de verão. Eu e os meus pensamentos, ambos perdidos na imensidão dos estímulos múltiplos da cidade.

Para mim há uma variação de um gosto muito comum das pessoas. Muita gente diz gostar de conhecer gente nova, eu também gosto, apesar de ser difícil. Mas eu gosto muito, talvez até mais, de ver gente nova. Nas aldeias ou nas cidades menores é difícil ver gente nova, são sempre as mesmas caras iguais. Toda a gente muito parecida, uniforme até. Nas grandes cidades não é assim. Há pessoas de todas as cores, há pessoas muito feias e há pessoas incrivelmente bonitas. Há pessoas comuns e pessoas completamente extravagantes. Há o cheiro meio rural de castanhas assadas no outono e há o cheiro cosmopolita dos perfumes caros vindos de uma qualquer transeunte lá do alto dos seus sapatos de salto alto.

Sei que muita gente perde anos de vida por causa do trânsito. Sei que muita gente foge desta vida de cidade por causa dele. Reconheço que andar no trânsito pode ser muito cansativo (e caro) se houver pressa. Mas se não houver pressa, entrar num autocarro ou no metro é uma viagem pela cidade, obviamente, mas é também um roteiro sociológico e antropológico interessantíssimo, quando há oportunidade para prestar atenção a tudo o que nos rodeia. E eu, sempre que posso, gosto de fazê-lo.

Viver na cidade não é para todos, é óbvio. Mas é para mim, porque gosto. Gosto das coisas que a cidade me dá. Gosto dos cheiros, dos sabores, das sensações, dos olhares dados e trocados e dos sons que a cidade tem. E, vista da minha pele, a cidade é linda!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Zelar por mim

"Let me tell you the secret that has led me to my goals: my strength lies solely in my tenacity." Louis Pasteur

Não me atrevo a negar a evidência que o homem é um animal social e condenado à convivência social. É por isso natural que as pessoas acabem por se apoiar mutuamente e, mais que isso, contem umas com as outras na realização das mais diversas tarefas.

Eu não sou diferente. Mas há alguns momentos e circunstancias da vida em que me apetece dizer a toda a gente que “se eu não zelar por mim, alguém zelará?”. Eu sei que sou melodramático, exagerado e disparatado, talvez. Mas a verdade é que eu, ou qualquer outra pessoa, em determinados momentos tem de cuidar de si própria e tomar as rédeas da própria vida, sob pena de “morrer” à espera de salvação.

Não sou apologista de matar ou morrer. De modo nenhum, a convivência social é importante e deve ser preservada e trabalhada. Mas algo bem diferente é a espera em que muita gente vive, e eu incluído em alguns momentos, de motivação dos outros para fazer algo. O espirito de “quando o tal fizer eu faço também” ou “quando o outro conseguir eu consigo também”. Não pode ser, por vezes, sem ser egocêntrico, é preciso olhar o próprio umbigo e avançar para a luta da vida.

Diria até que se trata de uma questão evolutiva, é a sobrevivência dos melhores adaptados. São aqueles que conseguem enfrentar agruras que mais capacitados estão a subsistir. E eu quero ser um desses. Para isso preciso de encarar a vida tal como ela se me dá no presente. Cada dia o sol nasce para me trazer novos desafios. E sei que muitas vezes ganharei e muitas outras perderei. Mas hoje sei que se me focar quer apenas nas vitórias quer nas derrotas serei sempre um derrotado no final
O truque deverá estar em saber potenciar vitórias e saber analisar e aprender com as derrotas. Não cometer o mesmo erro duas vezes nem apostar em vitórias fáceis dos quais já se sabe a receita mas nada de novo me acrescentam. Procurar novos desafios, melhorar o resultado dos existentes. E crescer, e evoluir, e capacitar-me para ser não melhor mas sim bom. Caminhar para ser feliz.

Tudo isto é saber fazer caminho, nos tempos em que caminho pelo meu próprio pé e naqueles em que caminho apoiado nos outros, até nos tempos em que não sou capaz de caminhar e alguém me carrega. O importante é não parar porque esta é uma corrida não para os mais rápidos mas sim para os mais resistentes. Preciso apenas de saber ser um não desistente.

E, apesar de ser um caminho só meu, não deixo de precisar e até de contar com os outros, mas tudo nos seus momentos. Zelo por mim, zelo pelos outros, zelo por todos, zelo pelo Homem.



domingo, 15 de fevereiro de 2015

“Sou rica e então?”

A língua portuguesa poderia afirmar isso mesmo. É rica, muito rica. Aparentemente muitos querem destitui-la dessa riqueza e torná-la mais “acessível”. Acho que é um pecado das sociedades hoje em dia, lidar mal com a riqueza.
Os ricos tornam-se arrogantes e, por vezes, acabam por cair em desgraça e na penúria. Os pobres são invejosos e querem tirar a riqueza aos ricos e espalha-la pelos pobres. O mérito devia ser premiado e não castigado, parece-me. Quem tem sucesso e enriquece fruto do seu trabalho e experiência deve ser o direito de gozar da riqueza que acumulou. Mas isto é só uma opinião social e política. Vale apenas o que vale, porque vem de alguém sem autoridade alguma. Mas devo dizer, muito claramente, que quem enriquece ilicitamente e à custa do mal feito deve ser castigado duplamente, pelas ações erradas e restituindo tudo o que acumulou ilicitamente.

Curiosamente, tudo isto se aplica igualmente à minha querida língua portuguesa. Enriqueceu à custa de várias influências linguísticas e geográficas. Fruto de uma história rica em sucessos internos e externos acabou por adquirir um vocabulário rico e uma gramática complexa mas funcional. Cresceu forte e viçosa, deu e dá origem a outras línguas filhas, espalhadas pelos cantos do mundo onde chegam portugueses.

Esta vitalidade é, ao mesmo tempo, aquilo que pode ser a sua desgraça. Por ter crescido muito e sido difundida por muitos lugares acaba por ser atacada pelos seus próprios falantes. O desconhecimento da própria língua e cultura é um mal muito perigoso para qualquer nacionalidade ou idioma. A cultura é o que move os povos, a cultura é o que faz nascer países independentes. Uma língua dividida em si própria não pode subsistir.

A língua portuguesa é muito rica, mas é propriedade de todos nós que a falamos. Dessa maneira nós devemos protege-la como coisa nossa que é. Defende-la, poli-la, estimá-la, embeleza-la e, acima de tudo, usa-la cuidadosamente. Usa-la como joia preciosa e única que é.

Este não é um manifesto contra o acordo ortográfico. O português é um só, nas suas diferenças maiores ou menores mas é todo a mesma língua. Tal como o inglês é um e é identificável, falado nos EUA, no Reino Unido ou na Austrália. Os falantes de português têm o dever de proteger a língua que herdaram. Têm o dever de querer saber falar bem. Têm o dever de diversificar legitimamente o vocabulário e não introduzir estrangeirismos para realidades já identificadas.


Não é apenas uma questão de língua. É uma questão de cultura. É uma questão de império e poder. É uma questão de História. Devemos honrar a língua como honramos a bandeira e o hino. Seria ótimo que um texto bem articulado, declamado e rico como esta nossa língua nos possibilita nos causasse tanta comoção quanto o Hino Nacional num qualquer evento desportivo.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Os mortais de Camões na tumba

“A cultura não é um substituto para a vida, mas a chave para ela.” Mallock

Muitas vezes digo, quando alguém comete um erro gramatical grave na fala ou na escrita, que até o Camões deu um mortal na campa com tamanha asneira. Pois bem, acho que é seriamente de considerar levar os restos mortais do poeta e mestre da língua às próximas Olimpíadas. Ele já deve ter aperfeiçoado a técnica com tanto disparate dito e escrito.

Eu sei ser particularmente sensível. Sei até que sou demasiado exigente comigo e com os outros no que toca à linguagem. Uso e abuso de um vocabulário muitas vezes excessivamente erudito. Mas gosto de falar bem e falar variado, chamem-me doente se quiserem!

Seja como for parece-me inaceitável que as pessoas, por vezes publicamente, digam barbaridades de fazer corar qualquer professor de primeiro ciclo. Ah, esperem! Talvez não, há professores hadem achar normal. Por favor, meus caros e minhas caras, respeitem o provável maior património que este país ainda detém, a sua língua!

Felizmente, ou não, a barbárie das gentes lusas no que toca à correção linguística estende-se às outras línguas que falamos. E nem estou a falar de emigrantes, estou sim a falar de senhores professores universitários que tratam o inglês com a mesma displicência com que o calceteiro trata o martelo. É só levantar a mão/soltar a língua e cá vai disto! Arrepia qualquer um! Por isso, cá para mim, nos Jogos Olímpicos as medalhas na ginástica serão partilhadas entre o Camões, o Cervantes e o Shakespeare. Mas isto sou só eu a conjeturar.

 Há sempre aqueles que dizem não valer a pena travar esta batalha contra a chacina das línguas. Eu não podia discordar mais! Vale a pena sim! Ainda que seja mal interpretado, quiçá ostracizado por alguns mas raios me partam se posso permitir pontapés linguísticos à minha volta!

É erróneo pensar-se que esta questão tem culpados nomeáveis. Não tem, passa desde os professores dos meninos, aos pais dos meninos, aos professores dos pais dos meninos, e por ai acima. Cabe a cada um hoje, sim hoje mesmo, começar a batalhar por um país mais limpo dessa poluição sonora tenebrosa que são os pontapés na língua portuguesa!

Poderia agora apontar uma série de erros comuns mas sabem que mais? Seria ótimo que já os tivessem reconhecido e, portanto, não precisassem de os ver relembrados. Vou ali vestir a armadura e montar o cavalo que a batalha urge. Digo apenas, por último, que me faz sentir um pouco D. Quixote a travar batalhas contra moinhos neste tempo em que o Acordo Ortográfico está a entrar nas vidas e nas escritas de toda a gente e a modificar a língua que conheci.