quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Inspirações e aspirações

Há uma empresa, cujo ramo não conheço, mas que tem como slogan Aspire today, inspire tomorrow (Aspira hoje, inspira amanhã). Esta frase é extremamente curiosa e motivacional, sem dúvida. Convoca-nos a aspirar e ambicionar hoje para amanhã sermos inspiradores da próxima geração. É uma boa motivação, sem dúvida!

Mas o que me leva a escrever estas linhas é a homonomia destas palavras. Inspirar (alguém) e inspirar (ar) são coisas muito diferentes ou muito parecidas? E aspirar (a ser alguém) e aspirar (a casa)? Estas parecem muito diferentes, mas, cá para mim, aspiro chegar ao diga em que tenha vontade de aspirar. Agora sem brincadeira, talvez esta homonomia não seja coincidência neste segundo caso também.

Comece-se então por inspirar (ar, entenda-se). Aquele momento de inspiração (ainda de ar) que antecede um mergulho fundo é uma sensação conhecida pela maioria das pessoas. Parece-me que antes de outros mergulhos metafóricos na vida também precisamos de momentos de parar para uma inspiração profunda (agora sim por alguém). Julgo que ninguém se aventura em negócios ou projetos arriscados ou novos sem ter o exemplo de alguém, um caso de sucesso para perseguir. No fundo um farol para guiar num caminho que, muitas vezes, é escuro e vazio de mais referências. E, sem essa reserva de ânimo, esse mergulho metafórico está condenado ao insucesso. Tal como está a ambição de chegar ao fundo do mar sem uma forte inspiração antes de mergulhar.

Quanto a aspirações (da casa) o que há a dizer é que é uma ideia pré-concebida que se aspira o que é mau. Pó, sujidades, areia, restos disto e daquilo mas nada de interessante. Mas a verdade é que o aspirador (lá de casa) absorve tudo por onde o bocal passa. Será assim tão diferente de quem aspira (tornar-se alguém)? Não há a mesma sofreguidão em recolher tudo para o seu interior, sentir-se cheio e preenchido? Pois é, imagine-se agora que se aspirava um chão cheio de moedas e outros itens valiosos. Qual o valor daquilo que ficava no interior? Enorme, efetivamente. Pois bem, as pessoas que aspiram também sugam tudo o que de valioso lhes chega perto e, no interior de si mesmas, fica um depósito de enorme valor que poderão usar para perseguir esse sonho que nasceu.


Portanto resta-me dizer que não devemos abandonar as nossas aspirações (em ambos os sentidos), nem esquecer da importância da inspiração (de ar, dos outros para nós e de nós para os outros) antes de cada mergulho que damos na vida.

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