Hoje não sei o que escrever. Milhões de ideias percorrem a
minha mente, mas mentiria se dissesse que estou satisfeito com alguma delas.
Não estou!
Só sei que quero escrever. Talvez seja aborrecimento de mais
um dia com nada a fazer. Talvez seja a vontade de uma dia iniciar aquela
escrita que, continuada, poderá tornar-se testemunho da minha passagem discreta
por este mundo. Não sei!
Mas sei que preciso escrever. Preciso escrever todas as
minhas alegrias e amarguras, as minhas dúvidas e certezas, as minhas perguntas
e as minhas respostas. Quero uma prosa inventiva e quero a poesia sem
imaginação. Quero a vida!
Desejo escrever. Tremem-me os dedos sobre as teclas,
vagueiam os olhos em busca de inspiração, respiro rapidamente com a adrenalina,
mexe a boca pronunciando palavras em surdina, as palavras que, suando, passam
para esta folha. Não me satisfazem!
Não sei como escrever. Preciso de um estilo, de um fio
condutor. Preciso de uma estrada que me leve daqui aos confins da imaginação.
Quero um rio onde fluam as palavras, que desague num mar de um texto coeso e
interessante! Quero asas para voar e fazer ecoar as minhas palavras do topo do
Olimpo da escrita, que elas façam eco em muitos ouvidos e corações. Desejo que
me oiçam!
Escrevo. Faço-o para mim, faço-o compreensível para mim. Sou
eu que escrevo para esse Tu que sou eu. No fundo escrevo para um Tu que sou eu.
Um Tu que ficou preso nessa infância confusa que passou mas que marcou. E nessa
roda livre, nesse turbilhão de pensamentos acabo por repousar. E como quem
dorme numa rua de Nova Iorque eu acalmo. E deixo de escrever. Não será hoje que
o livro começa. Paro!
Escrevo. Faço-o para mim, faço-o compreensível para muita
gente. Liberto-me das amarras das minhas ideias, das minhas palavras, do meu
vocabulário. Abro os grilhões do estilo, dos parágrafos todos iguais, das
frases enormes. Quero abrir asas!
É hoje!
Sem comentários:
Enviar um comentário