quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Questões existenciais

Hoje não sei o que escrever. Milhões de ideias percorrem a minha mente, mas mentiria se dissesse que estou satisfeito com alguma delas. Não estou!

Só sei que quero escrever. Talvez seja aborrecimento de mais um dia com nada a fazer. Talvez seja a vontade de uma dia iniciar aquela escrita que, continuada, poderá tornar-se testemunho da minha passagem discreta por este mundo. Não sei!

Mas sei que preciso escrever. Preciso escrever todas as minhas alegrias e amarguras, as minhas dúvidas e certezas, as minhas perguntas e as minhas respostas. Quero uma prosa inventiva e quero a poesia sem imaginação. Quero a vida!

Desejo escrever. Tremem-me os dedos sobre as teclas, vagueiam os olhos em busca de inspiração, respiro rapidamente com a adrenalina, mexe a boca pronunciando palavras em surdina, as palavras que, suando, passam para esta folha. Não me satisfazem!

Não sei como escrever. Preciso de um estilo, de um fio condutor. Preciso de uma estrada que me leve daqui aos confins da imaginação. Quero um rio onde fluam as palavras, que desague num mar de um texto coeso e interessante! Quero asas para voar e fazer ecoar as minhas palavras do topo do Olimpo da escrita, que elas façam eco em muitos ouvidos e corações. Desejo que me oiçam!

Escrevo. Faço-o para mim, faço-o compreensível para mim. Sou eu que escrevo para esse Tu que sou eu. No fundo escrevo para um Tu que sou eu. Um Tu que ficou preso nessa infância confusa que passou mas que marcou. E nessa roda livre, nesse turbilhão de pensamentos acabo por repousar. E como quem dorme numa rua de Nova Iorque eu acalmo. E deixo de escrever. Não será hoje que o livro começa. Paro!

Escrevo. Faço-o para mim, faço-o compreensível para muita gente. Liberto-me das amarras das minhas ideias, das minhas palavras, do meu vocabulário. Abro os grilhões do estilo, dos parágrafos todos iguais, das frases enormes. Quero abrir asas!


É hoje!

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