sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Os mortais de Camões na tumba

“A cultura não é um substituto para a vida, mas a chave para ela.” Mallock

Muitas vezes digo, quando alguém comete um erro gramatical grave na fala ou na escrita, que até o Camões deu um mortal na campa com tamanha asneira. Pois bem, acho que é seriamente de considerar levar os restos mortais do poeta e mestre da língua às próximas Olimpíadas. Ele já deve ter aperfeiçoado a técnica com tanto disparate dito e escrito.

Eu sei ser particularmente sensível. Sei até que sou demasiado exigente comigo e com os outros no que toca à linguagem. Uso e abuso de um vocabulário muitas vezes excessivamente erudito. Mas gosto de falar bem e falar variado, chamem-me doente se quiserem!

Seja como for parece-me inaceitável que as pessoas, por vezes publicamente, digam barbaridades de fazer corar qualquer professor de primeiro ciclo. Ah, esperem! Talvez não, há professores hadem achar normal. Por favor, meus caros e minhas caras, respeitem o provável maior património que este país ainda detém, a sua língua!

Felizmente, ou não, a barbárie das gentes lusas no que toca à correção linguística estende-se às outras línguas que falamos. E nem estou a falar de emigrantes, estou sim a falar de senhores professores universitários que tratam o inglês com a mesma displicência com que o calceteiro trata o martelo. É só levantar a mão/soltar a língua e cá vai disto! Arrepia qualquer um! Por isso, cá para mim, nos Jogos Olímpicos as medalhas na ginástica serão partilhadas entre o Camões, o Cervantes e o Shakespeare. Mas isto sou só eu a conjeturar.

 Há sempre aqueles que dizem não valer a pena travar esta batalha contra a chacina das línguas. Eu não podia discordar mais! Vale a pena sim! Ainda que seja mal interpretado, quiçá ostracizado por alguns mas raios me partam se posso permitir pontapés linguísticos à minha volta!

É erróneo pensar-se que esta questão tem culpados nomeáveis. Não tem, passa desde os professores dos meninos, aos pais dos meninos, aos professores dos pais dos meninos, e por ai acima. Cabe a cada um hoje, sim hoje mesmo, começar a batalhar por um país mais limpo dessa poluição sonora tenebrosa que são os pontapés na língua portuguesa!

Poderia agora apontar uma série de erros comuns mas sabem que mais? Seria ótimo que já os tivessem reconhecido e, portanto, não precisassem de os ver relembrados. Vou ali vestir a armadura e montar o cavalo que a batalha urge. Digo apenas, por último, que me faz sentir um pouco D. Quixote a travar batalhas contra moinhos neste tempo em que o Acordo Ortográfico está a entrar nas vidas e nas escritas de toda a gente e a modificar a língua que conheci.

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