sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Qual o destino?

Inevitável e inegavelmente as opiniões dividem-se sobre a existência ao não de um destino para cada pessoa. A existência de um caminho traçado para cada pessoa envolve, em primeira análise, a ausência de liberdade. Porque se tudo está escrito então, na verdade não temos opções e as escolhas são meras ilusões. A possibilidade de uma existência determinística na vida desagrada a qualquer pessoa. E eu não sou exceção.

Portanto analise-se a liberdade. A existência de liberdade pressupõe a capacidade de fazer escolhas que influenciam o rumo que a vida segue. Esta é, felizmente, a experiencia que a maioria de nós tem da vida. Nesta perspetivas frases como “acontece quando tiver que acontecer” ou “se a vida te dá limões faz limonada” não fazem qualquer sentido, porque tudo é aleatório e não há justiça ou karma. E eu, como a maioria das pessoas suponho, não fico satisfeito com esta situação.

Eu sou apologista de uma situação intermédia em que a nossa existência tem um propósito. Há um papel para cada um na vida e, ao longo da vida, vamos sendo confrontados com situações que nos permitem abordar esse propósito. Digo abordar e não cumprir porque temos a liberdade de dizer não ao papel que nos é proposto, podemos escrever outra história. Ainda assim a Vida virá uma e outra vez criar-nos situações para podermos cumprir o proposto. No entanto, garantidamente, se dissermos não ao nosso “destino” então cada um será sempre sempre menos feliz do que poderia ser.

É inevitável para mim entrar, ainda que superficialmente, na questão de Deus dentro deste tema. Deus é omnisciente. Deus sabe, a cada momento, que escolha faremos. No entanto esta circunstância não é limitadora da nossa liberdade. Porque Deus não é imortal mas sim eterno. Deus existe acima do nosso plano existencial, é transversal ao espaço e ao tempo. Assim está em todo o lado a todo o momento. É por isso que não nos prende a liberdade, porque nascemos, vivemos e morremos para lá do plano existencial de Deus. Toda nossa vida é um momento para Ele. Por isso Ele, mesmo sendo interveniente na história de cada pessoa, não limita as suas liberdades. Deus é a Vida e é ele que nos sonhou, nos criou e nos sustenta ao longo da vida. É Ele que, insistente e constantemente, chama a cada um ao seu caminho de felicidade através da santidade.


Sumariando, para mim nascemos na liberdade e para a liberdade. Temos um propósito de vida que podemos ou não cumprir mas é um propósito que nos leva à felicidade. É Deus quem nos chama a esse caminho. Somos livres para O seguir ou não, temos essa liberdade, mas estamos destinados a nos confrontarmos com o sonho dele para cada um de nós.

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