sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O mal é natural?

No livro “Nova Teoria do Mal” é defendido que o mal é a tendência natural do Homem e que o bem é uma anomalia no sistema. Quando me confrontei com esta tese fiquei chocado, mas refleti sobre o assunto e hoje não sou capaz de a refutar liminarmente.

Todos os dias as notícias são, na sua maioria, sobre coisas más que acontecem e, na maior parte dos casos, com maior ou menor intervenção direta dos homens. Já noticias de boas obras são raras. Dir-se-á que o bem não vende. Até pode ser verdade, mas isso, em si, já é prova que o mal nos é natural, já que não queremos saber do bem que podemos fazer.

Penso que é experiencia comum que o mal é muito mais fácil de fazer do que o bem. É muito mais fácil furar uma fila passando à frente das outras pessoas do que ceder passagem a alguém numa fila. Aliás, fazer bem é até embaraçoso, já fazer o mal é apenas lamentável.

Gostaria imenso de saber responder porque o mal nos é tão natural, porque tão fácil dizer sim à asneira e não à boa ação. E nem sequer é um problema cuja cura seja fácil, quer pessoal quer socialmente. Aliás, diz-se à boca cheia por todo lado que as crianças são cruéis. Quem ensina às criaturas de tão tenra idade tamanha maldade. Só podem ser os seus educadores. Ou seja o mal anda a passar de geração em geração.

Então e o bem? Não é o Homem capaz de fazer bem. Claro que sim! Felizmente sim! Sobram exemplos de homens e mulheres que se destacaram dos outros pelo bem que fizeram. Mas nem esses se podem dizer inimputáveis. E existem de todas as raças, nacionalidades e credos, o bem não escolhe pessoas para se manifestar. Mas até esses, em algum momento foram capazes de fazer mal. O mesmo não se aplica aqueles conhecidos por fazer mal, para esses é comum não se conhecer bem praticado. Ou seja o bem acaba por ser a anomalia no sistema de mal.

Então nada há a fazer? Errado! Muito errado! Há tudo a fazer! O Homem evolui constantemente e, por isso mesmo, é sempre tempo de mudar. Fazendo pequenas coisas podemos alcançar o impossível, já dizia S. Francisco! Se o mal tem passado de geração em geração então peguemos as rédeas do nosso destino e façamos que seja criada uma geração de bem!


Depois da geração de bem será este a ser passado à descendência. E, assim, geração a geração, até todos sermos aderirmos ao bem em favor do mal. E esse dia chegará! Eu sei, e é propositado, que este texto termina de uma forma apocalíptica. No bom sentido, claro!

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