No livro “Nova Teoria do Mal” é defendido que o mal é a
tendência natural do Homem e que o bem é uma anomalia no sistema. Quando me
confrontei com esta tese fiquei chocado, mas refleti sobre o assunto e hoje não
sou capaz de a refutar liminarmente.
Todos os dias as notícias são, na sua maioria, sobre coisas
más que acontecem e, na maior parte dos casos, com maior ou menor intervenção
direta dos homens. Já noticias de boas obras são raras. Dir-se-á que o bem não
vende. Até pode ser verdade, mas isso, em si, já é prova que o mal nos é
natural, já que não queremos saber do bem que podemos fazer.
Penso que é experiencia comum que o mal é muito mais fácil
de fazer do que o bem. É muito mais fácil furar uma fila passando à frente das
outras pessoas do que ceder passagem a alguém numa fila. Aliás, fazer bem é até
embaraçoso, já fazer o mal é apenas lamentável.
Gostaria imenso de saber responder porque o mal nos é tão
natural, porque tão fácil dizer sim à asneira e não à boa ação. E nem sequer é
um problema cuja cura seja fácil, quer pessoal quer socialmente. Aliás, diz-se
à boca cheia por todo lado que as crianças são cruéis. Quem ensina às criaturas
de tão tenra idade tamanha maldade. Só podem ser os seus educadores. Ou seja o
mal anda a passar de geração em geração.
Então e o bem? Não é o Homem capaz de fazer bem. Claro que
sim! Felizmente sim! Sobram exemplos de homens e mulheres que se destacaram dos
outros pelo bem que fizeram. Mas nem esses se podem dizer inimputáveis. E
existem de todas as raças, nacionalidades e credos, o bem não escolhe pessoas
para se manifestar. Mas até esses, em algum momento foram capazes de fazer mal.
O mesmo não se aplica aqueles conhecidos por fazer mal, para esses é comum não
se conhecer bem praticado. Ou seja o bem acaba por ser a anomalia no sistema de
mal.
Então nada há a fazer? Errado! Muito errado! Há tudo a
fazer! O Homem evolui constantemente e, por isso mesmo, é sempre tempo de
mudar. Fazendo pequenas coisas podemos alcançar o impossível, já dizia S.
Francisco! Se o mal tem passado de geração em geração então peguemos as rédeas
do nosso destino e façamos que seja criada uma geração de bem!
Depois da geração de bem será este a ser passado à
descendência. E, assim, geração a geração, até todos sermos aderirmos ao bem em
favor do mal. E esse dia chegará! Eu sei, e é propositado, que este texto
termina de uma forma apocalíptica. No bom sentido, claro!
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