sábado, 7 de fevereiro de 2015

Dias de luta, dias de glória

“Always do your best. What you plant now, you will harvest later.”  Og Mandino

Hoje lembrei-me desse título de uma música que preencheu os meus dias há uns anos atrás. O estilo não me era particularmente agradável mas a letra pesava-me e ainda me pesa.

Toda a gente tem dias de luta e dias de glória na vida. Eu também. Mas o curioso aqui é que dito assim, de seguida, faz parecer que são os mesmos dias que são de luta e glória. Pois bem, nada mais errado.

Desde logo os dias de luta serão muitos mais que os dias de glória. Mais, muitos dias de luta serão totalmente inglórios mas, em boa verdade, a maioria dos dias de glória envolveram algum sacrifício na luta.

É óbvia a analogia com um maratonista que, ganhando, tem ali o seu dia de glória. Mas é também um dia de luta no percurso daquela distância que separa a partida da meta. É, para este caso, obvia a circunstancia que, muito antes do tiro de partida, já esse atleta teve de correr muito. Só praticando muito, física e mentalmente, é possível chegar ao dia da prova em condições de, no mínimo, competir condignamente. E a distância entre a simples luta e a glória é muito ténue.

Assim também o é em muitas outras circunstâncias da vida. Lembro-me como me atacava a forte desmotivação para estudar apenas porque o estudo não produz resultados palpáveis e, muito menos, imediatos. É preciso entrar num espirito de agricultor para enfrentar a vida.

Este espirito de agricultor de que falo é a capacidade de repousar a mente e sossegar sabendo que se prepara o terreno hoje, se planta na semana que vem, se vai cuidando e regando ao longo dos meses e só sem tem colheita, e glória, daqui a alguns meses. É assim para a agricultura, como o é para o estudo, para as relações, para o trabalho, ou tantas outras coisas.

Mas o mundo hoje não nos ensina paciência. Ensina sofreguidão, imediatismo e urgência. Então como se pode conjugar tudo isto e conseguir viver em harmonia com este mundo? Pois, acho que para esta pergunta eu próprio não tenho resposta. Sinto só me restar remar contra esta maré. Eu escolhi um caminho de paciência e de luta incessante. Muitos dias de luta para uns poucos de glória verdadeira. O mundo quer muitos dias de glória com poucos dias de luta. Só no meu leito de morte poderei concluir quem tem razão afinal.


Ah, mas não me equivoco! Eu “sou a diferença que quero ver no mundo” como sugeriu um dia Gandhi. Alguma razão terá, já que tanta luta paciente pela paz travou e, a seu tempo, teve a glória tão merecida!

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