terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Se trabalhar fosse bom tinha que se pagar

Hoje em dia há a ideia transversal e generalizada que as pessoas devem procurar seguir o seu emprego de sonho. Trabalhar em algo de que gostam. Até aqui tudo muito justo mas depois, como sempre, acontece o exagero. Não me parece justo que se explorem os gostos das pessoas e se faça do trabalho um passatempo. Não o é nem o será nunca! O trabalho deve ser pago justamente, mesmo que aquela pessoa goste do trabalho que tem.

Os hobbies são, naturalmente, atividades pelas quais se tem que pagar para usufruir. É justo, precisamente porque são fruto do trabalho de alguém. Falo, por exemplo, de cinema ou mesmo de uma atividade desportiva e competitiva onde muitos pais investem parte do seu dinheiro para ter os filhos. É normal e justo que assim seja.

Muito menos justo é que, em algumas áreas do trabalho, cada vez mais, surjam propostas de trabalho voluntário ou ridiculamente pago. O que é natural é que as empresas, que retiram lucro do trabalho dos funcionários compensem esses mesmos funcionários com um ordenado justo. Os jovens terem que investir o seu dinheiro (correção: o dinheiro dos pais) em deslocações e refeições para poderem desempenhar um trabalho é uma perversidade da sociedade atual.

Mas não os equivoquemos, se estas situações existem é porque há quem aceite tomar parte delas. E digo claramente, quem aceita estas condições não só se prejudica a si próprio, desvalorizado o seu próprio trabalho e investimento pessoal, como também prejudica os seus pares e gerações futuras, abrindo precedente a práticas que são, no mínimo, muito pouco éticas.

Não nego a evidência que, um pouco por todo o lado mas em Portugal em particular, se atravessam tempos difíceis nos quais o dinheiro não abunda e, por isso, há uma dificuldade real em pagar vencimentos superiores e, provavelmente, mais de acordo com os preços do mercado. Entende-se isto mas já não se entende que as entidades patronais, desrespeitando as pessoas, ofereçam ordenados abaixo do necessário e do justo para sobreviver e/ou sobrecarreguem os funcionários com muito mais trabalho do que aquele que eles deveriam fazer.


Mais uma vez, como já tinha dito antes, é bom trabalhar para viver, para se sustentar e sustentar os seus. Já não é bom, é mau mesmo, que se viva e se dedique todo o tempo apenas a trabalhar, não dando oportunidade à família, ao tempo livre e a todo o mundo “lá fora”. Do diretor geral até ao menor dos funcionários, todos devem procurar criar uma situação mais justa. As empresas devem produzir riqueza, é verdade, mas já agora que tal essa riqueza não ser apenas material mas ser também humana? Fica a ideia…

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